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Lucia Koch – filtros / 29.jun.09

Dentre a competente produção da artista plástica gaúcha Lucia Koch estão o que ela chama de “filtros de luz” ou “correções de luz”.

Lucia utiliza filtros de correção de cor em PVC. A intervenção parece supor e propor dois movimentos: ao mesmo tempo que modifica o olhar para fora, a partir da janela para uma paisagem qualquer (sobretudo quando os filtros contém desenhos, que por vezes fazem alusão aos de Lucio Costa e a arabescos), mas também modificam a experiência de quem vê e se desloca no espaço interno, agora recolorido. A artista parece perceber a janela (que tem a possibilidade de trazer e barrar a luz) como esse lugar do entre que, trabalhado, modifica a percepção dos dois lados e, de certa forma, ressignifica essa fronteira.

www.luciakoch.com

Noite americana, 2007, filtro de PVC instalado sobre clarabóia, dimensões variáveis (Museu de Arte Contemporânea do Paraná).

Correções de luz, mostra “Lugares desdobrados”, Fundação Iberê Camargo, Porto Alegre.

Correções de luz, filtros de correção para cinema instalados nas janelas dos espaços no 1o e 2o pisos e nas escadas, Centro Universitário Mariantonia, São Paulo, 2007

Matemática espontânea, 2006

Minibiografia da artista retirada do forum permanente:

Lucia Koch nasceu em Porto Alegre, em 1966. Vive e trabalha em São Paulo. Já realizou exposições na Alemanha, Áustria, Coréia, Inglaterra, entre outros. Participou da última Bienal de São Paulo, Como Viver Junto, em 2006 e da V Bienal do Mercosul em 2005. Desde meados de 90 vem trabalhando com intervenções arquitetônicas em espaços de arte, lidando, sobretudo, com a incidência e a percepção da luz.

Miguel

Cine Noz – Mutum / 22.jun.09

Gostaríamos de convidá-los para o segundo dia do Cine Noz – filmes seguidos de debates com seus diretores.

24 de junho

Mutum de Sandra Kogut

- seguido de conversa entre Sandra Kogut e Otavio Leonídio.

Nesta segunda quarta-feira exibiremos ‘Mutum’ em sessão única, às 19h no Cinema do Instituto Moreira Salles, seguido de debate entre a diretora do filme, Sandra Kogut, e o professor da PUC-Rio Otavio Leonídio.

O filme é baseado no conto ‘Campo Geral’, de João Guimarães Rosa, e tem como personagem principal o menino Tiago, que é o ponto de vista do filme.

Mais informações sobre ‘Mutum‘ podem ser encontradas em artigos no site escrevercinema, na revista virtual Cinética , na revista Contracampo e nas entrevistas no site Cinema em Cena e na Revista Moviola.

 

local: Instituto Moreira Salles – Rua Marquês de São Vicente, 476 Gávea – Rio de Janeiro 

realização: revista Noz e CAU/PUC-Rio

programação completa disponível em www.revistanoz.com/cinenoz

Cine Noz – Andarilho / 15.jun.09

Caros amigos,

a revista Noz tem o prazer de convidá-los para a primeira edição do Cine Noz – filmes seguidos de debates com seus diretores.

17 junho, quarta às 19h (entrada franca)

Andarilho de Cao Guimarães

– seguido de conversa entre Cao Guimarães e Ligia Saramago

Nesta primeira quarta-feira exibiremos o ‘Andarilho‘ em sessão única, às 19h no Cinema do Instituto Moreira Salles, seguido de debate entre o diretor do filme, Cao Guimarães, e a professora da PUC-Rio Ligia Saramago.

O filme é o segundo da chamada ‘Trilogia da Solidão‘. O primeiro foi ‘A Alma do Osso‘ e o terceiro será baseado no conto ‘O Homem da Multidão‘ de Edgar Allan Poe.

Outras informações sobre o ‘Andarilho‘ podem ser encontradas em artigos e entrevistas na revista virtual Cinética, no site escrevercinema e no site da Galeria Nara Roesler  (Mundo desgarrado por Cezar Migliorin; A superfície de um lago, um bate-papo entre Cao Guimarães e Cezar Migliorin; O Homem e o Mundo por Lila Foster; O acidente do pintor por José Carlos Avellar , uma pequena nota crítica sobre um outro longa do Cao, ‘O Acidente’; Cao Guimarães: Memória e outros esquecimentos por Michael Asbury; entre outros).

local: Instituto Moreira Salles – Rua Marquês de São Vicente, 476 Gávea – Rio de Janeiro 

realização: revista Noz e CAU/PUC-Rio

programação completa disponível em www.revistanoz.com/cinenoz

O desejo do contemporâneo / 31.mai.09

Esse texto do Antonio Cicero publicado na Folha de S. Paulo fala de um assunto que temos conversado por esses dias entre nós, entre nós e a Verônica Rodrigues e algumas outras pessoas, provocados pelas crônicas do Lobo Antunes (de que a Verônica fala em sua dissertação e falará no ensaio para a próxima Noz) e algumas coisa de que fala Zygmunt Bauman.

Colei a postagem do blog do Raul Mourão que colou do blog do Antonio Cicero. Recomendamos que visitem ambos com frequência.

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O desejo do contemporâneo

O FILÓSOFO Gilles Deleuze diz que “uma boa maneira de ler, hoje em dia, seria tratar um livro assim como se escuta um disco, assim como se vê um filme ou um programa de televisão, assim como se acolhe uma canção: qualquer tratamento do livro que exija para ele um respeito, uma atenção especial, corresponde a outra época e condena definitivamente o livro”.

Por mim, cada qual que leia o que quiser da maneira que lhe aprouver. Contudo, quando leio, por exemplo, as bobagens ou trivialidades que são cotidianamente escritas sobre Nietzsche por alguns dos seus fãs, tenho a impressão de que hoje praticamente todo o mundo já adotou a maneira de ler recomendada pelo autor de “Diferença e Repetição”. E então tendo a achar que Heidegger é que estava certo, quando recomendava aos seus alunos que adiassem a leitura de Nietzsche para depois que estudassem Aristóteles durante uns dez ou 15 anos.

Deleuze jamais concordaria com isso, pois considerava repressiva a história da filosofia. Segundo ele, as pessoas não se sentem no direito de pensar antes de terem lido Platão, Descartes, Kant e Heidegger. Talvez. Mas eu diria antes que quem não quer pensar sempre acha uma desculpa para tal. Se, na França, é a história da filosofia, no Brasil é a filosofia contemporânea que tem esse papel. Tradicionalmente o brasileiro, tendendo a considerar-se atrasado em relação ao que se discute no Primeiro Mundo, não se dá o direito a pensar antes de estar a par do “dernier cri” europeu ou norte-americano. Ora, mal se conhece o “dernier cri” e ele já deixou de o ser, de modo que, correndo-se atrás do próximo, deixa-se para pensar por conta própria mais tarde.

Além disso, quem só deseja estar “up to date” acaba por jamais ler os clássicos. A leitura dos contemporâneos toma-lhe todo o tempo. Tal pessoa espera que os autores da moda lhe indiquem quais dos autores do passado ainda devem ser respeitados (por exemplo, Spinoza e Nietzsche) e quais devem ser desprezados (por exemplo, Descartes e Hegel). E, no mais das vezes, como aquilo que os contemporâneos escrevem sobre os autores que recomendam é considerado justamente o supra-sumo destes, torna-se supérflua a leitura dos originais.

Pensemos no significado desse desejo de ser contemporâneo. “Contemporâneo” quer dizer “do mesmo tempo” ou “do mesmo tempo que”. Quando dizemos, por exemplo, “Mário e Oswald foram contemporâneos”, queremos dizer: “Mário e Oswald foram do mesmo tempo”; e quando dizemos “Leonardo foi contemporâneo de Michelangelo”, queremos dizer: “Leonardo foi do mesmo tempo que Michelangelo”.

Quando, por outro lado, digo que uma coisa ou pessoa é contemporânea, sem explicitar de quê ou de quem, fica sempre implícito que essa coisa ou pessoa é contemporânea de mim, que estou a dizê-lo. Se digo, por exemplo, “Giorgio Agamben é um filósofo contemporâneo”, quero dizer que ele é meu contemporâneo: o que poderia ser dito pelas palavras “Giorgio Agamben é um filósofo do mesmo tempo que eu”. Ou seja, o que quer que seja contemporâneo, sem mais, é contemporâneo de mim (seja quem eu for). É claro que, como a contemporaneidade consiste em uma relação comutativa, não posso deixar de, reflexivamente, me reconhecer contemporâneo das coisas ou pessoas que me são contemporâneas.

Isso significa que não tem sentido que eu – seja quem eu for – me diga contemporâneo, sem mais. “Eu sou contemporâneo” significa apenas: “Eu sou do mesmo tempo que eu”. Assim também, não tem sentido desejar ser contemporâneo, sem mais, pois “desejo ser contemporâneo” significa apenas: “Desejo ser do mesmo tempo que eu”. Finalmente, não tem sentido desejar ser contemporâneo de alguma coisa ou pessoa contemporânea, uma vez que eu já sou, evidentemente, contemporâneo de quem me é contemporâneo.

Assim, o desejo do contemporâneo não passa de sintoma de um agudo provincianismo temporal. Quando se manifesta no campo da filosofia, talvez o melhor antídoto para ele seja exatamente a leitura cuidadosa dos clássicos.

E, de volta a Deleuze, devo dizer que, no lugar de tratar um livro como normalmente se escuta uma canção, acho mais proveitoso, de vez em quando, escutar algumas canções com o respeito e a atenção especial que o bom leitor jamais deixará de dedicar aos bons livros.

Joe Velluto / 26.mai.09

Em um manifesto filosofico-poético chamado “Useless is More”, o jovem escritório de design italiano JoeVelluto fala do “adesign” ou design inútil, não-funcional. Giuseppe Finessi, um professor meu aqui, curou uma mostra deles no ano passado em Turim em que ao lado dos objetos sem função, estava descrito o processo de ‘retiro’ da mesma.

Segundo Stefano Caggiano, num texto para a revista Interni, se o grupo já mostrava uma pesquisa direcionada para aquilo “other-than-design” num mundo saturado de objetos e da palavra design, com esse trabalho, um grande passo avante, nos portam para uma reflexão sobre um possível funcionalismo “líquido” do design do séc. XXI.

“Since the pluriball rosary, RosAria, the research of Joe Velluto has shown precocious sensibility regarding conceptual art. And just as contemporary art has feed itself of the sole destiny of ‘rapresentation’, so this way of doing design persues its own schisophrenic path of emancipation from the monothematic fate of “beautiful function”, opening up to the uncertainties of elastic meanings and contradictory emotions.

Thats why useless is more: because by taking away a piece from an object you can free up alternative configurations that were previously trapped inside a definite typology. removing the function, the object is taken back to a condition of ‘total potential’ in which a lampshade doesn’t necessarily have to be a lampshade, but can reincarnate in any other avatar.

But it would be a mistake  to think that this generation rejects function. on the contrary, it is precisely by walking the lateral paths of dysfunction that the design of the 21st century can keep faith with the process of everyday reinvention, weakened but widespread, of the sense of things. Classical functionalism exhausted it’s impulse in definite typologies, perhaps improving them brilliantly, but almost never going beyond. The new “liquid” functionalism, on the other hand, does not start with typologies but with gestures made by people in real life, which almost never coincide with the small and big schemes of behavior dictated by the objects around them.

Little gestures that break up the system of objects and become design. This persuit of ideas not in types but in non-indicated gestures is a characteristic feautre of the ‘design that didn’t exist before” directly connected to the new antropology in which there designers operate, which connects the value of an object not to what it is, but what it could be.

Not the results but the potential for transformation, to generate te ’sense’ of products in the 21st century. Basically, there is nothing strange about the fact that a generation born in a world full of useless things look precisely at uselessness to find a dimension of meaning. Challenging function to scape from itself, to transform itself into fresh possibilities.”

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<http://www.joevelluto.it>

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Barbara Cutlak

Editora da Noz direto de Milão

Entre / 25.mai.09

Um grupo de estudantes de Arquitetura da PUC-Rio (Francesco Perrotta Bosch, Gabriel Maia, Mariana Meneguetti e Valmir Azevedo) lançam o Entre. O site é um periódico virtual mensal de entrevistas feitas com arquitetos. Nesse primeiro mês estarão disponíveis entrevistas (e em breve os projetos citados nelas) com três escritórios paulistas: João Walter Toscano, Nitsche Arquitetos Associados e Andrade Morettin Arquitetos. A inciativa é um esforço para aproximar a atividade profissional da escola através “desse lugar, entre” e talvez colaborar pra resgatar algo do prestígio que a arquitetura já teve no Brasil.

www.entre.arq.br

Toyo Ito e Andrea Branzi: Gent – uma esponja sonora / 19.mai.09

Concurso realizado em 2004 para o novo Forum de música, dança e artes visuais de Gent, Bélgica

Memorial

Este projeto nasceu de algumas ideias gerais, divididas com Toyo Ito, relativas ao papel dos espaços internos, protagonistas da cidade contemporânea.

Espaços internos que como os sistemas fisiológicos internos de organismos vivos desesnvolvem uma função não visível ao externo, mas sofisticadas e vitais, porque produzem as enzimas funcionais e qualitativas fundamentais, adaptando-se de maneira dinâmica às mudanças que ocorrem na sociedade e na cultura.

A imagem deste projeto é constituída de um único grande organismo interno, contido dentro de um envoltório de vidro transparente e indiferente, um tipo de aquário autônomo.

Este projeto se distancia, então, da atual tradição de salas de concerto onde a música é interpretada como separação e especialização, tanto ambiental quanto social.

A nossa atenção está de fato numa concessão nova e diversa da música, entendida como uma qualidade ambiental expansiva e horizontal, que invade os espaços e passa além dos recintos das salas de concerto.

Trata-se de um tipo de cultura musical em que a arquitetura deve começar a se confrontar, porque pede sistemas espaciais diversos daqueles tradicionais, baseados em uma separação rigorosa entre dentro e fora, entre limites ambientais rígidos, e se encaminhar, ao contrario, para situações ambientais mais fluidas e abertas, onde a música conserva sua natureza sensorial e perceptiva, como parte de um espaço urbano produtor de esperiências e conhecimentos e menos de lugares especializados.

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Retirado de “Modernità debole e diffusa. Il mondo del progetto all’inizio del XXI secolo“. de Andrea Branzi, 2006

Helio Oiticica - Conto / 13.mai.09

Em novembro de 1969 Hélio Oiticica terminava sua temporada inglesa. Após viajar para Londres ao lado de Torquato poucos dias antes do AI-5, Hélio permaneceu durante um ano entre a capital inglesa, Paris, Los Angeles e New York. Viveu em comunidades hippies – o coletivo Exploding Galaxy –, frequentou as casas dos baianos exilados e esteve na Universidade de Sussex, em Brighton Beach, durante uma residência de dois meses.

Esse “conto” escrito abaixo data desse período em Brighton (brn). Oiticica explorava os limites dos gêneros literários dobrando a palavra “conto” em seus significados, seja no formato de escrita de um “conto”, seja no ato narrativo de “contar” alguma coisa para um suposto leitor. As investidas de HO na seara da literatura seriam muitas, infinitas. Ele escreveu para além desse breve texto sem intervalo, alucinado e costurado por uma voz que não precisamos de onde vem nem para onde vai. Durante boa parte da sua vida, era a escrita - em seus formatos mais inusitados - a sua principal aliada no esforço de criação permanente de sua obra. Abaixo, “conto”.

brn 8 nov. 69
ho

conto

“eu sempre quis outra vida, eu sempre quis ser feliz…” canta o poeta, ou conta ou sonha que o destino flui e se transforma no amanhecer : o dia já nasce noite, a noite é mais fresca : o sol nasce à meia noite como o sonho ou rádio pássaro que canta qual a vida que se quer ? só sei a que não quero e nem sei a que não quero ou quis ou quererei : andar as mesmas ruas, rios, pontes ou buracos do mundo onde não é o sonho mas o fluir de rios invisíveis ou não é você e você e nem sei mais quem, fantasmas memória do sonho sonhado : aqui estou e que faço se vivo lá mais longe onde o tempo não esconde nem sonda nem me espera : o telefone chama e que diferença se tenho Marilyn Monroe a contemplar na foto na porta e o que diz é o mesmo que sinto : contemplar algo que não vê ou algo que é novo mas não é surpresa ou a presa de um desejo que não se define ou lembrar que algo foi esquecido ou perdido irremediavelmente ou a inveja do que se quer ou é — não, que faço aqui se é lá que devo ao menos ver o que sucede com o que é sonho ou louco desvario ou vida a vir? Ser feliz, oh sonho absurdo de todas as seitas e colheitas e compartimento cerebral que não se localiza nem em detalhes nem num “todo é todo” ou no fruto verde que cai porque jamais amadurece ou endurece de verme ou que sonho e porque querer outra vida se nem essa tenho — onde achar o que não existe ou criar o não criável — saudade e fraude são o mesmo e não posso deixar que ninguém diga o que é criminoso ou odioso e que seja estabelecida essa relação porque o cerne da felicidade da ilusão feliz idade ou de mim ou de quem a cada passo contempla o sol quando a noite é negra ou os ventos sopram do Pólo ou folhas caem no outono-primavera do mundo porque nem neste nem no outro metades de esfera me encontro sou o que não nasceu ou o permanente aborto o que é uma sorte uma virtude — mas o poeta sopra “eu sempre quis ser contente : pode ser que um dia eu seja” e sopra suave mais frio que os altos ventos ou o clima da Lua — em que rua era ou em que canto que vinha de um rádio distante ou era perto do mar ou o alto edifício ouvi e ouço ventar e dizer “eu sempre quis ser feliz” e só era o constatar de que tal idéia não era o pensável nem o comensurável mas o porvir de mais ou menos solidão onde os tambores não batem ou se batem ventam e não fazem sons mas são silêncios-morte incomunicáveis como a atmosfera que nunca existiu, como o andar e ir alto e longe e longe e nenhuma diferença fazer ou estar aqui e ser matéria e não saber se se está aqui ou lá porque tudo cessou e morreu.

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Por Fred Coelho em http://www.objetosimobjetonao.blogspot.com/

Requiem por la escalera – Oscar Tusquets / 08.mai.09

“La drástica normativa antiincendios ha arruinado la belleza de la escalera”

“Louis Kahn decía que un espacio sin luz natural no es un espacio arquitectónico. Encerrada en una caja, sin ventanas y con doble puerta de seguridad delante es muy difícil hacer de la escalera una pieza arquitectónica”

Oscar Tusquets deu uma das melhores  palestras do Curso “Por uma Museografia Total” (CosmoCaixa Barcelona, Abril 2009, coord. Jorge Wagensberger), que fiz há umas semanas.

Ele contou a história um tanto frustrada de seu projeto de renovação do museu de artes decorativas do Louvre, devido a quantidade de conservadorismos e restrições das exposições históricas de acervo, mas também expôs um caso feliz de exposição temática que realizou no CCCB sobre escadas, a partir de um capítulo de seu livro “Todo es comparable”.

A exposição tinha 15 seções, as primeiras por tipologias de escadas, que contava com pinturas,esculturas, maquetes, reprodução em tamanho real e uns curtas de 5 minutos com escadas de cada tipologia na história do cinema, (de tramo recto, colgada del muro, imperial, aleatoria, trazo curvo, tramo en angulo, etc) e mais “subir a los cielos descender a los infiernos” em que apresentava a escada como metafora, “escadas impossiveis”, proporção nas escadas, mais técnica digamos assim, e uma ultima que me encantou: a escada ilegal!

Em que defende que a escada, tão importante na história da arquitetura está em via de extinção:

“Las escaleras son una pieza arquitectónica fascinante y, al mismo tiempo, dificilísima, quizá el elemento que ha dado lugar a los espacios más memorables de la historia de la arquitectura. En el conflicto geométrico que genera la línea diagonal del pasamanos y la losa; en el diseño siempre delicado y complejo de la barandilla; en las curvas; en los rellanos intermedios; en la solución particular que exige el coronamiento en el nivel superior; en la solución, todavía más difícil, del arranque; en todos esos desafíos, han sufrido y disfrutado los arquitectos a lo largo de la historia. Pero, muy probablemente, no volverán a hacerlo, puesto que las escaleras son un espacio en proceso de extinción.

En proceso de extinción porque, hoy en día, las escaleras han dejado de ser un pezzo di bravura del arquitecto para convertirse en un espacio de servicio, puramente funcional, marginal, aislado y casi estandarizado. Hemos pasado de considerarla el corazón del edificio a proyectarla como una sala de calderas.

Hoy sería ilícito construir la escalera de la Ópera de París, la de la Piazza de Spagna en Roma, las del templo de agua Raniji-Ki-Baori en Rajasthan, India, las de la Sagrada Familia de Gaudí, las del Alcázar de Toledo, las del Palacio Itamaraty de Niemeyer en Brasilia o las de la casa de Barragán en Tacubaya. Sin barandillas intermedias, sin alumbrado de emergencia, sin relleno entre los escalones o sin elementos de acceso para los minusválidos todas esas legendarias escaleras no podrían existir. “

A exposição terminava com a imagem da escada da Ópera de Paris, onde Tusquets apontava como em um jogo de 7 erros todas as leis de seguranca e acessibilidade que a escada apontava e comprovava a sua impossibilidade de execução.

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Marina Piquet

Editora da Noz em Barcelona

P.S.: Ilustro com uma entre as mais belas, da Lina.

Fibras japonesas / 08.mai.09

Uma das exposições mais comentadas da Trienal durante a semana do móvel foi a Senseware - Tokyo Fiber, uma mostra sobre as inovações japonesas no setor de fibras e tecnologia. Para cada novo material desenvolvido por grandes marcas japonesa foi convidado um artista ou designer para experimentaá-lo. Estavam expostos tecidos que se moldam e depois endurecem, ou são tão leves que inflam, outro condutor de eletricidade, também um tipo completamente impermeável, ou então fibras óticas mais simplificadas voltadas pra iluminação, e outros…  Em geral o conjunto dessas fibras se comporta de modo semelhante à pele ativa de um organismo que faz trocas com o meio externo. 

O produto que mais impressionou os arquitetos foi uma massa de concreto recheado de fibra ótica. Arrepiante ver a solidez do concreto indo pros ares quando se acendem os tantos pontinhos de luz! É um composto com qualidades bem diversas, que veda, estrutura e ilumina ao mesmo tempo. O arquiteto Kengo Kuma usou o material empilhando blocos triangulares, criando um efeito de claro escuro através dos pontos acesos e da parte não acesa da fibra:

 No site tem o catálogo em PDF bem detalhado.

Acho que muitas dessas inovações tem a ver com o que temos pensado… A preocupação com uma ‘pele’ é hoje bastante visivel na arquitetura, mas é na verdade um complexo conjunto de várias camadas de vedação e estrutura. Se os japoneses nos mostram que uma camada já pode ter diversas capacidades e relações, parece que caminhamos para que o interior e o exterior de uma arquitetura deixem de fato de serem noções que se opõem

E aos japas, ‘glazie’ !

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Barbara Cutlak

Editora da Noz em Milão